Eu e o feminino

Meu interesse pelas questões do feminino começou desde muito cedo. Quando ainda era criança, gostava de ficar em meio às mulheres da família, aprendendo coisas sobre o fascinante universo em que viviam.

Em meu processo pessoal de psicoterapia pude entrar em contato e compreender uma série de questões que me intrigavam a propósito de minha condição de mulher e da relação com meu próprio feminino.

Sincronicamente, durante muitos anos, em meu consultório atendi predominantemente mulheres.

Meus estudos de Mitologia Grega se ampliaram através da Psicologia Analítica, que me ajudou a entender os deuses e deusas como arquétipos do inconsciente coletivo, presentes no psiquismo de todos nós. Usando as deusas gregas como referência trabalhei com mulheres individualmente, e em grupos, temas como: relacionamento, maternidade, infertilidade, conflitos familiares, cuidando do feminino ferido em cada uma delas e ajudando-as a reconhecer aspectos saudáveis e potenciais criativos em suas personalidades.

O conceito que norteia a Psicoterapia Analítica ou junguiana é a individuação. De maneira simples, trata-se da realização, do desenvolvimento, do potencial que o indivíduo traz dentro de si para se tornar quem realmente é.

A psicoterapia é um dos caminhos para o autoconhecimento, pois propicia o diálogo entre a consciência e os aspectos inconscientes que compõem a personalidade.

Ao tomar contato com os conteúdos inconscientes de seu psiquismo, entendê-los e integrá-los à sua personalidade, o indivíduo passa a compreender melhor como funciona, quais são seus potenciais criativos e suas dificuldades. 

Assim, reconhece seus próprios recursos internos e passa a contar com eles para lidar com a imensa diversidade de situações, experiências e emoções que a vida, constantemente, coloca diante de todos nós.

Vale lembrar que o processo de individuação é algo que nunca se esgota! Nunca ficaremos completamente “prontos”, pois a vida é dinâmica e está em constante movimento.

Portanto, estaremos sempre em processo de transformação e aprendizagem a respeito de nós mesmos e do universo que nos cerca.

Após sair da faculdade, tornamo-nos psicólogos. Entretanto, precisamos construir e desenvolver o psicoterapeuta que seremos. Para tanto, acredito ser importante sustentar três pilares, que são a base para que nos tornemos capacitados para acolher e ajudar nossos pacientes, tanto do ponto de vista profissional, quanto  humano. São eles: terapia, supervisão clínica e o aprofundamento de nossos estudos na abordagem que escolhemos seguir.

Na supervisão clínica, o terapeuta tem a oportunidade de discutir os casos de seus pacientes, bem como, se perceber e ser espelhado em sua própria atuação. Por essa razão, é fundamental que seja acompanhado por alguém mais experiente, que vá contribuir com sua formação.

As supervisões clínicas podem ser feitas individualmente ou em grupos de até quatro pessoas.